A cidade de La Paz formada no extenso e profundo vale, rodeado de montanhas e picos nevados dos Andes, repleto de casas com tijolos expostos. Muitos dos seus habitantes optaram por não pintá-las, deixando-as em eterno estado de construção e, assim, não pagar mais impostos ao governo. A capital mais alta mundo está em um dos países mais pobres do continente, mas cheio de riquezas naturais, tradições milenares e mistérios arqueológicos que cativam o turista.
As cholas, mulheres de longas tranças, vestidas de chapéus e inúmeras saias coloridas, circulam entre os arranha-céus de vidros espelhados, carros importados, fast foods e lojas da moda. Junto à cacofonia produzida pelo intenso tráfego de automóveis, escutam-se as vozes em aimara, quíchua, guarani, e, é claro, no idioma espanhol trazido pelos colonizadores. Atualmente, mais da metade da população boliviana é constituída de índios de mais de 30 etnias, sendo que dessa maioria, grande parte é descendente dos aimaras, como o presidente Evo Morales - primeiro chefe de estado ameríndio da Bolívia.
Para jogar bola na capital administrativa da Bolívia (a constitucional é Sucre) só mesmo com coca. Adorada por muitos, e demonizada por outros tantos em conseqüência do seu ilícito uso, a planta é utilizada de forma medicinal e religiosa há milênios pelas culturas andinas. Polêmicas a parte, está comprovado que suas propriedades espantam a soroche, o mal-estar causado pelas grandes alturas.
As subidas e descidas das vias empedradas, dessa vez construídas pelos espanhóis, na zona central de La Paz, exigem um bom preparo físico. Duas das irregulares ruas são lotadas de gringos europeus, concentrando o que há de melhor e mais inusitado na cidade. Na inclinada Sagárnaga, estão as variadas lojas de artesanato, agências de viagens, hotéis, cybercafés e restaurantes. E na Liñares, o famoso Mercado de las Brujas, onde se pode comprar fetos de lhama secos e tudo mais que se necessita para os rituais da tradição andina.
O passado colonial da cidade fundada em 1548 se expressa com mais força nos arredores da Plaza Murillo e San Francisco. São muitas as casas com séculos de história, mas ainda poucas foram contempladas pelo tímido programa de restauração promovido pelo estado. As construções do inicio do século passado da Avenida El Prado, a Catedral, os palácios governamentais e a pequena Rua Apolinar Jaén, são algumas amostras do centro antigo, que também abriga museus, bares e discotecas da Nossa Senhora de La Paz.
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